domingo, 23 de junio de 2013
Relato de Swai Roger, companheiro brasiliense sobre a manifestação de quinta-feira
Vou
falar o que eu vi ontem: ainda que tivesse um grupo muito pequeno
segurando um pôster escrito "redução da maioridade pra 15 anos", me
pareceu que era uma franca minoria. Tanto que eles estavam virados no
sentido contrário da marcha, como se estivessem protestando contra a
mesma. Havia uma marcha indígena. Fiquei atento à reação do público,
pois sei que a questão índigena é divisora, pessoas mal
informadas não apoiam. Pois as reações de apoio foram muitas, e
espontâneas. Sabe o que acho? A maioria das pessoas que estavam lá,
estavam querendo uma formação. Parece que queriam ver, aprender alguma
coisa. Querendo sair de uma espécie de limbo das opiniões. Procuravam
uma opinião pra si! Muita gente contra o Feliciano. O movimento LGBT
tava expressivo. A ANEL, que está conseguindo retirar o movimento
estudantil do fisiologismo, também. Tinha o pessoal da saúde. Ganhei
mascarazinha. Não acho que foi uma manifestação cooptada. Sim, tenho a
sensação de que, mais que um acontecimento político, foi um
acontecimento cibernético... como chamam? Ah, flashmob. Teve um tanto
disso, e outro tanto de micarê. Mas isso não neutraliza o lado político,
na minha opinião. Eu continuaria indo, com o firme intuito de politizar
mais as manifestações. Defendo que se levem bandeiras, de partidos ou
de qualquer outro movimento. Pretas e vermelhas, de preferência, pra
mostrar que tem muita gente que não tá acordando agora. Deixa a galera
da direita (assumam-se ou não como tais) ir, e vamos ver quem dá o tom.
Acho que nós daremos, pelo que vi ontem. De qualquer forma, só de ver o
Eixo Monumental fechado, em dia e horário não previstos, fiquei feliz.
Virou sim um espaço pra sociabilidades. Bem, numa cidade onde as pessoas
não conversam no ônibus e que tem a maior taxa de suicídio do país,
isso pra mim já é democracia participativa. É um fato político sim.
Claro, as pessoas realmente oprimidas estavam muito, mas muito longe de
tudo isso. Voltando pra casa de ônibus lotado pra acordar no dia
seguinte, por exemplo. Ainda assim, sempre dei aula na periferia, e vi
um (!) aluno meu por lá. A PM dispersou a multidão quando quis, às
centenas, com gás lacrimogênio. Fomos tocados como verdadeiras
ovelhinhas. Afinal, se boa parte das pessoas estavam lá meio que
"procurando uma ideologia pra viver" (pra retomar Cazuza), elas não
iriam enfrentar a PM em função de algo que nem encontraram pra valer.
Sim, tem um grupo partidário que acho que prevaleceu, a galera verde
aguado da Marina. Se não me engano, vi posters de apoio a ela e não
houve hostilidade. Muito sintomático. Por sinal, pessoalmente é isso que
me pareceu. Tudo aguado. Mas isso é Brasília. Na maior parte dos
protestos contra o Feliciano também tinha essa impressão. Acho que a
galera LGBT é quem mais botou "cores" nesse guache. E espero que a
galera de partidos não se acanhe mais, simplesmente por exercer um
direito histórico conquistado com sangue, literalmente (eu cá não tenho
partido, pelo menos não ainda). Não havia movimentos negros, pelo menos
não vi. Também não vi o povo de santo. Impressões de quem ficou no lado
que desce do eixo monumental, e nem desceu pro gramado, porque o queria
mesmo era assistir a tudo de camarote...
martes, 21 de mayo de 2013
Comunicado de Mulheres Maias ante o falho da Corte de Constitucionalidade no caso Ríos Montt
Nós, mulheres maias que vivemos sob os efeitos dos Estados
de sítio em Guatemala, que presenciamos o recrutamento militar forçoso, que
estivemos sentadas nos ônibus quando um encapuchado subia para identificar
pessoas. Nós, as sobreviventes da guerra em Guatemala, queremos manifestar o
seguinte:
1. Repudiamos e criticamos os três membros da Corte de
Constitucionalidade: Héctor Hugo Pérez Aguilera (Presidente da Corte), Roberto
Molina Barreto e Alejandro Maldonado Aguirre. Eles se arrogam a autoridade para
negar um processo onde o genocida Ríos Montt foi julgado por um tribunal, mas
também julgado por todas/os nós.
2. Que o enunciado nos testemunhos das mulheres e
homens Ixiles não se pode apagar, suas palavras mostraram o núcleo da guerra em
Guatemala, que se concentrou de muitas formas em acabar com os povos maias. Que
os informes dos peritos são claros: houve uma cadeia de mando na execução dos
atos. Que em 15 dias se utilizaram 8.242 cartuchos para as operações de
extermínio em territórios Ixiles. Isto não pode ser anulado por uma simples resolução.
3. Criticamos o culto à forma do processo penal que se
faz nos tribunais por parte de juízes e magistrados, que se esquecem serem
dramas humanos os casos que resolvem.
4. Queremos que isto nunca mais se repita, no entanto,
as ações dos membros da CC abrem as portas para os genocidas seguirem atuando
impunemente.
5. Manifestamos nossa total solidariedade e
incondicional apoio à Asociación para La Justicia y La Reconciliación – AJR – e
ao Centro para la Acción Legal en Derechos Humanos – CALDH – cujos trabalhos
incansáveis agradecemos, assim como motivamos que sigam com passos firmes nesta
luta de todas e todos contra a impunidade.
6. Pedimos solidariedade, ações de denúncia e
acompanhamento de todas e todos. Esta é uma luta pela memora e pela justiça guatemalteca
e latino-americana.
Ixmulew, 20 de Maio de 2013
.......................................................................................................................
Comunicado original en castellano (hagan click sobre el archivo para poder leer):
lunes, 20 de mayo de 2013
Genocídio em Guatemala: a batalha pela construção de nossa memória
por Gladys Tzul Tzul,
Maya K’iche’ de
Guatemala. Doutoranda en Sociologia pela Benemérita Universidad de Puebla.
O julgamento
interposto contra o general Ríos Montt, ex-presidente de fato da república de
Guatemala entre 1982 e 1983 e contra Mauricio Rodríguez Sánchez, chefe de inteligência
militar, pelos delitos de genocídio e delitos contra os deveres da humanidade
contra o povo Ixil, localizado no nordeste de Guatemala e que deixou como
resultado o assassinato de mais de 1.700 pessoas, é um processo que abriu as
portas para trazer à primeira cena o que permanentemente se quer que esqueçamos
em Guatemala: o genocídio, o racismo expressado no não reconhecimento de
sistemas de governo indígena, o desconhecimento das terras comunais, as lutas
das mulheres indígenas, escondidas atrás das lutas tradicionais das esquerdas
socialistas e revolucionárias.
As audiências se
realizaram entre 19 de março e 10 de maio de 2013, sendo espaços onde o passado
se encontrou com o presente. O passado apareceu com as fossas clandestinas, com
a violência sexual, com as execuções, com as mortes de crianças e não natos. O
presente reviveu este passado com racismo generalizado, misoginia e
desatendimento; mas também com atos de performance, poesia e protestos nas
ruas, de forma criativa, com as reproduções escritas e auditivas dos testemunhos
de violações sexuais e de mortes, que nos obrigaram a sentir a dor das vítimas.
O processo foi
encabeçado por mulheres e homens Ixiles que, como povo maia, exigiu uma condenação
contra o delito de genocídio. Os Ixiles reclamaram o castigo a aqueles que
planificaram e ordenaram esses atos. “Mataram-nos porque pensavam que éramos
menos que animais (...) e queremos que se faca justiça” (1) como disse Don
Benjamín Gerónimo, na penúltima audiência prévia à sentença que condenou Ríos
Montt a 80 anos de prisão e absolveu Rodríguez Sánchez.
Este processo de
construção de memória se constituiu em uma batalha contra o racismo e a
violência. Não é uma enfrentamento de forças ou partidos de caráter conservador
contra os de caráter marxista, como os advogados defensores, os meios de
comunicação, a Fundación contra el Terrorismo e o presidente da república de
Guatemala quiseram fazer ver. Em efeito, a condenação de Ríos Montt respondeu a
uma idéia política no sentido de que apontou à convivência humana com justiça.
Foi uma briga pela demanda de reconhecimento, pelo direito à vida, à memória,
ao ressarcimento e à verdade. Não é uma batalha clássica. É uma luta política
no sentido mais elevado.
Meu interesse
neste artigo é me referir a alguns efeitos que este julgamento teve e tem para
nós mulheres dos povos indígenas. Este acontecimento pode ser um ponto de
partida para a modificação das estruturas racial-econômicas do país. Vimos isto
como um ato concreto que mudou de lugar a máquina de funcionamento cotidiano da
justiça em Guatemala. Por primeira vez, fomos os indígenas os que estávamos na
parte acusatória e não na de acusados, como em muitos casos acontece. Isto, em
si mesmo, significou uma reviravolta no imaginário dos tribunais, que desde o
princípio encontram os indígenas como suspeitos.
Testificaram
mulheres e homens em idioma Ixil ou em um pausado castelhano; seus testemunhos
ratificaram os mecanismos e as formas repetitivas de violação sexual e de morte
nos anos de 1980. Trouxe ao centro da história nacional a natureza da guerra em
Guatemala: O Genocídio contra povos indígenas. A vontade etnocida se reconheceu
também no caráter sistemático das violações e nos assassinatos das mulheres Ixiles,
para desaparecer seu povo. Assim como no uso comercial que foi dado às terras
expropriadas dos Ixiles, imediatamente depois do genocídio e do deslocamento
dos/as sobreviventes.
Para as pessoas
que assistimos às audiências, era muito emocionante vermos e nos olharmos
caminha e desfilar, corpos de mulheres indígenas Ixiles e vários povos mais. A
sala de vistas da Corte Suprema de Justiça por mais de dois meses foi vestida
pelo multi-colorido dos tecidos güipiles de vários povos Maias. Não foi nas salas universitárias, nem nas escolas,
tampouco nos centro de saúde, onde nos sentamos em condições de igualdade. Foi
nesta sala onde, por primeira vez, os filhos dos militares e as pessoas
pertencentes a um estrato político conservador, acompanhados de seus
guardas-cotas, tiveram que se sentar junto a nós, sem que eles desfrutassem de
nenhum privilégio por serem os que eram.
..................................................................................................
(1) Extraído do
áudio de audiência do dia 9 de maio de 2013. Quando Don Benjamín Gerónimo se
dirigiu ao tribunal para pedir como querelante do processo.
O texto original, em castelhano, se encontra na Revista Paquidermo: http://www.revistapaquidermo.com/archives/8342
sábado, 11 de mayo de 2013
Nota sobre a falta de interesse no Brasil pela condenação por genocídio de Ríos Montt em Guatemala
Danilo de Assis Clímaco
Estranho que uma notícia tão importante, a de que por primeira vez um ex-chefe de estado seja condenado por genocídio (contra 1.771 pessoas do povo Maya Ixil, ainda que as vítimas mortais desse povo superam as 10.000) quase não foi noticiada no Brasil. Mais grave se a gente pensa que o país está passando por uma comissão da verdade. Nem nos meios ‘mais a esquerda’ como Brasil de Fato, Carta Capital ou Conversa Afiada se noticiou. Esta falta de interesse tem tudo a ver com o fato das vítimas serem indígenas. Se fosse o Videla ou o Pinochet, que mataram (além de pobres, ‘negros’, ‘índios’ e camponeses, claro) muitos ‘brancos’, operários sindicalizados, universitários, de classe média, todo o julgamento do ex-ditador teria sido intensamente noticiado pelos meios das ‘esquerdas’ e inclusive pelos da direita.
![]() |
| Mujer Ixil jura antes de prestar depoimento. No canto direito, o ex-ditador. Foto: Elías Rodríguez |
Tudo isso é ainda mais grave na medida em que nos evidencia o quão pouco as esquerdas brasileiras mais institucionalizadas – ao contrário de alguns setores nos Andes, na América Central e no México – se preocuparam em refletir e lutar contra o período de reprimarização de nossa economia, provocado pela crise do capital como tal, e o que isso significa em termos de expropriação e deterioro de terra dos povos indígenas (e camponeses). Os ruralistas no Brasil alcança com a Dilma seu maior nível de poder nos últimos 10 anos, razão pela qual o número de demarcação de terras indígenas é o menor de nossa história recente.
Convém lembrar que recentemente foi descoberto um relatório de 7.000 páginas sobre a violência contra os povos indígenas durante nosso período militar. Que o exemplo guatemalteco seja mais um motivo para que o genocídio dos povos indígenas que habitam ou habitaram o país não fique impune.
Abaixo deixo uma das poucas notícias em português ao respeito desta grande vitória dos povos indígenas de Guatemala, das Américas, especial o Maya Ixil. Está em um jornal de Portugal:
Antigo ditador da Guatemala condenado a 80 anos de prisão
O antigo ditador da Guatemala José Efraín Ríos Montt foi condenado a um total de 80 anos de cadeia, 50 anos dos quais pelo massacre de povos indígenas entre 1982 e 1983.
O antigo ditador guatemalteco, Ríos Montt, condenado a 80 anos de prisão por genocídio e crimes de guerra, insistiu na sua inocência e anunciou um recurso da sentença que considera "ilegal" para "responder a um espetáculo político internacional".
"É um espetáculo político internacional que afeta a alma e o coração do povo guatemalteco, mas nós temos paz porque nunca derramamos ou nunca manchamos as nossas mãos de sangue dos nossos irmãos", declarou Ríos Montt aos jornalistas antes de ser transferido para um quartel militar que funciona como prisão.
Em prisão domiciliária, Ríos Montt viu o Tribunal Penal anular essa medida de coação e ordenar a sua prisão efetiva depois de conhecida a condenação.
Ríos Montt, 86 anos, governou a Guatemala num dos períodos mais violentos da longa guerra civil, que durou entre 1960 e 1996, sendo agora condenado por genocídio.
O antigo general começou a ser julgado em meados de março pela morte de cerca de 1800 indígenas da etnia ixil, cometidos na região de Quiche, no norte da Guatemala, epicentro da guerra civil.
Cerca de 500 pessoas marcaram presença na primeira audiência do julgamento, a 20 de março, que durou cerca de cinco horas, durante a qual Efraín Ríos Montt reiterou que não tinha conhecimento de que o Exército estava a levar a cabo massacres.
Este é o primeiro julgamento por genocídio que decorre da guerra civil da Guatemala, a qual opôs guerrilhas de esquerda e forças governamentais e terminou em 1996, com um balanço de 200 mil mortos ou desaparecidos, segundo dados das Nações Unidas.
Etiquetas:
colonialidad del poder,
Genocídio Guatemala,
mujeres en lucha
domingo, 21 de abril de 2013
Comunicado de Mujeres Mayas en apoyo al pueblo Ixil ante el estado del juicio por genocidio en Guatemala
Etiquetas:
colonialidad del poder,
democracia,
Genocídio Guatemala,
mujeres en lucha
miércoles, 12 de septiembre de 2012
Bambamarca: encuentros de mujeres en lucha
Danilo
de Assis Clímaco*
![]() |
| Doña Barbarita, presidenta de la Central entre 1990 y 1996, período auge. Foto de Vilma Rodríguez Chihuán |
La región de Cajamarca, en el Perú, es objeto de numerosos proyectos mineros que afectarían de forma agresiva sus más importantes fuentes de agua y, por lo tanto, la condición de vida de más de un millón de personas. La coyuntura actual gira alrededor del proyecto Minas-Conga (o simplemente “Conga”), impulsado por la empresa estadounidense Newmont y la peruana Buenaventura, ya aprobado por el gobierno peruano y que debió haberse iniciado con normalidad hace un año. Sin embargo, la resistencia de la población local, sobre todo de las zonas que serían más afectadas: Bambamarca y Celendín, fue contundente, provocó la caída de dos gabinetes ministeriales y logró la suspensión parcial del proyecto. Actualmente, la lucha sigue por la detención completa de Conga y por la declaración de su inviabilidad.
El espléndido intercambio de
experiencias y energías sobre el cual se construyó el relato abajo tiene que
ver con el nuevo impulso organizativo por parte de las mujeres en todo el Perú,
en Bambamarca especialmente, y transborda por lo tanto la lucha específica
contra Conga, sin dejar de ser parte crucial de ella.
En San Juan de Lacamaca, en el
distrito de Bambamarca, se encontró el pasado 3 de septiembre un grupo
heterogéneo de mujeres: las de la misma comunidad, algunas de ellas iletradas,
otras regidoras del municipio; las líderes de la Central
Única Provincial de Mujeres Ronderas de Bambamarca (la Central); Lourdes
Huanca, moqueguana y presidenta de la Federación Nacional de Mujeres
Campesinas, Artesanas, Indígenas, Nativas y Asalariadas del Perú (FEMUCARINAP);
Rosa Cercado, profesora y Secretaria del Frente de Defensa de los Intereses
Ambientales de Hualgayoc; además de Vilma Rodríguez Chihuán, activista limeña
que se lanzó a Cajamarca a apoyar la lucha contra Conga; y una representante
del Servicio Educativo Rural, SER. También el alcalde, algunos hombres de San
Juan y este quien ahora les escribe, auto-invitado cariñosamente recibido.
El refortalecimiento de la Central Única Provincial de Mujeres
Ronderas de Bambamarca
El encuentro fue impulsado por la Central,
con el objetivo de incentivar a las mujeres de la zona de San Juan de Lacamaca a
crear un Comité con participación formal en la Central. Fue un evento común en
los últimos dos años de gestión de la Central que, bajo la presidencia de doña
Clemencia Ruiz, ha buscado con bastante éxito restablecer la fuerza que la
Central tuvo hasta los noventa y que había perdido en los años 2000, en parte
porque había cumplido en larga medida su principal objetivo: detener los robos
en las comunidades; pero también porque la participación de las entonces líderes
en la política partidaria supuso su distanciamiento de las mujeres de base.
Este nuevo impulso de la organización,
como luego me lo contaría una de las lideres de la actual gestión, doña Blanca Llamoctanta –persona fuerte como nadie, que
sobrevivió a los ocho disparos que le propinó la policía en un desalojo de
tierras en los años 90–, parte del principio de que la Central solo será fuerte
si las mujeres que la componen lo son individual y colectivamente. El proceso
organizativo, así, exige una forma democratizadora, que busca transcender los
liderazgos personalizados.
El evento tuvo dos partes,
en la primera, de capacitación, la representante del SER y Vilma
Rodríguez expondrían sobre temas propios. En la segunda, de debate, las
mujeres de San Juan de Lacamaca designarían un comité que se encargaría de realizar una asamblea
interna, en la que designarían sus representantes
para formar parte de la Central. La presencia de Lourdes Huanca fue una oportunidad
de última hora, surgida por su participación en la ciudad de Cajamarca –a dos
horas y algo de Bambamarca[1]– en
un evento organizado por la ONG Grufides (Grupo de Formación e Intervención
para el Desarrollo Sostenible).
| Lourdes Huanca y doña Paula haciendo la mística (hacer click para ampliar la imagen) |
FEMUCARINAP – todaslasluchasalmismotiempoahora.
| Lourdes Huanca durante su charla (hacer click para ampliar la imagen) |
La imposible tarea de hablar tras
Lourdes le tocó a Vilma, quien trabaja desde hace más de una década con mujeres
indígenas. Habla y hace hablar a las mujeres sobre la cultura y lo indígena,
sobre cómo se sienten con respecto a esta última palabra, sobre su importancia
para las luchas contemporáneas. La representante del SER hablaría de los
espacios instituciones en los cuales las mujeres campesinas pueden incidir
políticamente. Entre una charla y otra, un descanso: Doña Blanca, conocida
también como La Pastorita por sus dotes de cantante, jala cánticos que son
alegremente respondidos, entre ellos el
huayno “Serrano de Bambamarca” y un otro en
alusión a la lucha contra Conga.
Y tras las charlas, doña Clemencia
y sus demás compañeras de gestión en la Central arengan a las mujeres para que
acepten conformar una junta de cuatro integrantes para que visiten a las
distintas comunidades del centro poblado de San Juan de Lacamaca y conformen un
comité zonal. Las mujeres aducen tener otras responsabilidades, buscan demorar
el proceso, esperar una reunión más en la que haya más mujeres para solo entonces dar
el paso. Hablan de las luchas recientes, de sus dificultades, del Programa
Juntos, de la lucha contra Conga y su orgullo por ser parte de ella.
Finalmente, cuando parecía que no se formaría la junta, se logra. No he podido
saber quienes eran todas ellas, pero una era una joven regidora de Lacamaca y
otra Yenni, una joven estudiante, muy amiga de Rosa del Frente de Defensa.
Dicha
Tras el evento, todas contentas.
Sirven el almuerzo, conversamos sobre varias cosas, volvemos a Conga y al
Programa Juntos. Tras el almuerzo, las mujeres del centro poblado en su gran
mayoría se retiran, entre las que se quedan está la joven regidora, quien
recuerda con emoción el evento de la FEMUNCARINAP en San Marcos (a cinco horas
de Bambamarca), en el mes de junio, cuando casi mil mujeres tomaron la plaza de
la ciudad. La conversación gira alrededor de Lourdes y de los tres eventos que
la FEMUCARINAP ahora impulsa: el Encuentro Nacional de Mujeres Jóvenes de la
FEMUCARINAP en Lima, al que Lourdes dice esperar por lo menos 15 jóvenes
mujeres de Bambamarca –pero también hombres, así como las dirigentes ya no tan
jóvenes[4]
–; el 15 de octubre por el Día de la Mujer Campesina, un evento en la plaza de
Bambamarca en el que pretenden ubicar entre 600 y 1000 mujeres de toda
Cajamarca, además de por lo menos una de cada región del país que Lourdes y la
dirección de FEMUCARINAP se encargarán de llevar. Y en noviembre el Encuentro
Macro-regional Norte de la FEMUCARINAP, en Celendín, en donde nuevamente se
congregarían centenas de mujeres.
Es difícil transmitir el ambiente
de entonces, pero cierto es que el encuentro entre las mujeres era sentido por todas
como una gran dicha, la cual arriesgo a decir, vendría de la perspectiva de un
futuro próximo que se avecina como verdaderamente nuevo, en el cual ellas se
encontrarán varias veces, trabarán batallas y descubrirán entre sí muchas
fuerzas.
La violencia de la “democracia representativa”
Tras regresar a la ciudad de Bambamarca
–donde viven algunas de las integrantes de la actual gestión de la Central–
tomamos café en casa de doña Blanca. Las ronderas informaron a Lourdes sobre
los intentos de cooptación de las mujeres ronderas por partidos políticos de la
región. Algunas de las allí presentes habían recibo propuestas al respecto. Se
negaron porque aceptarlo es considerado necesariamente división de las mujeres,
por lo cual quien lo haga es vista automáticamente como enemiga de la Central.
Su preocupación es saber que no todo está en sus manos, es decir, que hay ya la
conformación de organizaciones de mujeres que, bajo diferentes denominaciones,
sirven al objetivo de diferentes partidos políticos y que tales organizaciones
buscarán romper las bases de la Central.
Como para tantas(os) teóricas(os) y
militantes mundo afuera, para las ronderas de Bambamarca la democracia formal
es ante todo un modo de expropiar a las gentes del poder concreto que tienen en
las organizaciones que han tejido según sus necesidades prácticas.
La respuesta a ello es la
intensificación de los compromisos. Como decía Jorge Camacho de Grufides, el
compromiso de las ronderas es íntimo y profundo, como una misión. Una misión
democrática: se trata de que las mujeres se organicen, se reúnan, se
fortalezcan y tomen juntas las decisiones sobre su vida y la de sus
comunidades. No hay nada más bonito que luchar, dice doña Barbarita.
Un poquito del día después
Al día siguiente Doña Blanca me contó de cierta vez se
encontró con Gregorio Santos–el presidente regional de Cajamarca– y le hizo
recordar cómo los y las ronderas punen a quienes les traicionan. Es aún poco
probable que hoy por hoy las rondas tengan la capacidad de tratar a los líderes
formalizados –alcaldes, gobernadores, etc.– como si fuera un ciudadano más. Pero
el hecho de que doña Blanca se atreva a hablarle así al presidente regional no
es cualquier cosa. Expresa un deseo cada vez más legitimado de reabsorber a los
líderes en una ciudadanía normal y corriente. Y habrá algún momento
aparentemente súbito en el que esto ocurra. Cruzo los dedos para que sea ayer.
* Agradezco a Bethsabé Huaman, Vilma Rodríguez Chihuán y Carolina Ortíz por sus amicales lecturas y comentarios que me permitieron enriquecer el texto.
[1] Lourdes y
yo (que también estaba en el evento de Grufides) salimos a las 5:30 de
Cajamarca para llegar a las 8 a Bambamarca y de ahí casi inmediatamente
subirnos – y agarrarnos – a la parte de atrás de una camioneta junto a las
líderes de la Central, por otros cuarenta minutos, hasta San Juan de Lacamaca.
La Central, además, llevaba algunos de los insumos para el almuerzo, que sería
complementado por las mujeres de Lacamaca. Lourdes se marchó de Bambamarca a
las 4a.m. del día siguiente, una vez que debía regresar a Lima para irse –en 24
horas de viaje– a participar de un evento
en Pucallpa, ciudad amazónica.
[2] El Programa Juntos otorga 100 soles a cada familia en situación de
pobreza que tenga un hijo en edad escolar
[3] De entre todas las luchas, me decía Lourdes la noche
anterior en Cajamarca, la por la seguridad alimentaria ocupa un lugar especial
en el corazoncito de la FEMUCARINAP.
[4] Como se
habrá notado, los eventos sean de jóvenes, sean de mujeres, no son exclusivos
de los respectivos grupos, de ahí que los hombres hayamos estados en esta
reunión en San Juan de Lacamaca y que estemos invitados junto a las mujeres
mayores a estar en evento de jóvenes.
Etiquetas:
Cajamarca,
colonialidad del poder,
democracia,
feminismo,
mujeres en lucha
Suscribirse a:
Entradas (Atom)







